Há mais de 40 anos o consumo de sal em Portugal, em média, o consumo de sal era perto das 20g por dia.
Atualmente os portugueses estão a consumir, em média, mais do dobro de sal recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que são de cinco gramas diárias. É, por isso, urgente, reduzir o seu consumo, que está associado a doenças como o cancro gástrico, hipertensão, que afeta um terço da população portuguesa, enfartes do miocárdio, AVC (acidente vascular cerebral), a principal causa de morte em Portugal. É nesse sentido que a Direcção-Geral da Saúde está a trabalhar com a indústria alimentar e o sector da distribuição para reduzir, ainda mais, o teor de sal no pão. Até 2021, a DGS pretende chegar à meta de 1 grama.
Neste momento, estão a definir-se e a implementar medidas e objetivos, para reduzir o sal em tostas, os cereais de pequeno-almoço, o queijo, o fiambre, a sopa pronta a consumir, batatas fritas e outros snacks, e também bolachas e biscoitos.
Sabe-se também, que alguns restaurantes, gostam de colocar um pouco mais de sal para tornar a sopa e os pratos mais apetitosos, no entanto, começa haver mais preocupação do consumidor relativamente a este assunto.
De acordo com um estudo realizado, os portugueses consomem 10,7 gramas de sal diárias, o que corresponde a mais do dobro recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de cinco gramas diárias para um adulto e três gramas para as crianças. Só 4,4% da população portuguesa consome o valor recomendado. Um consumo médio diário de sal inferior a 5 gramas reduz em 23% a morte por AVC e em 17% a doença cardiovascular. Os investigadores Conceição Calhau, Professora da Nova Medical School, e Jorge Polónia, Professor na Faculdade de Medicina na Universidade do Porto e investigador do CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, são os coordenadores deste estudo que pretende mudar os hábitos dos portugueses. "Portugal é um país salgado", disse, na apresentação do estudo, Jorge Polónia, referindo-se ao facto de o país estar numa "péssima situação" em termos de consumo de sal a nível mundial. "Pior do que Portugal só mesmo os países asiáticos", referiu. Se os adultos ingerem 10,7 gramas por dia, as crianças portuguesas, com menos de 10 anos, "consomem 7,8 gramas por dia", revelou. Conceição Calhau explicou que "o sal adicionado no momento de confeção dos alimentos contribui em 29,2%" para o consumo excessivo de sal. Já "o pão e as tostas, 18,5%, a sopa, 8,2% e os produtos de charcutaria e carnes processadas têm um contributo de 6,9%."
Outro estudo realizado pelos investigadores referidos anteriormente, com 311 participantes voluntários, revelou que com redução da ingestão de sal no plano alimentar diário ao longo de 12 semanas, a sua pressão arterial baixou, em média, 2,1 mm Hg. No grupo de indivíduos com maior consumo de sal ou com pressão arterial mais elevada obteve-se, respetivamente, uma redução do consumo diário de sal de 0,6gr e uma redução da pressão arterial de 9 mm Hg.
A redução de sal salva vidas, e dá uma nova qualidade de vida e bem-estar.
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